É muita morte
É muito sufoco
É muito oco, que quando reviro do avesso do lado de dentro de lá, é a mim que vejo, revolta em meio a milhões de faces, de etnias diferentes, mas de olhos sempre vivos, uns entreabertos entre singelas secas lágrimas…e outros, outras faces de um fogo inútil, inconciso, demente, que-mente, sem-mente, que me deixam ver, não saberem nada, nenhuma semente…de tanto reterem, creem quererem com quase tudo acabar. Diluir. Não consigo explicar-lhes que já estão mortos. São um amontoado de células que, estas mesmas desejariam mais rápido, ressignificar.
Sinto as plantas, pessoas e animais. Sementes.
Tudo que é verde me toca. Plexo do coração.
Meu coração pulsa em várias dimensões, fractais, para manifestar: devolvam o ar, o silêncio, a voz, a essência daqui que é a mesma de lá. Lar não há.
Aqui neste planeta incrível, eu não aceito o destino imposto a nenhum dos Continentes. Os mistérios estão por toda parte. Quanto mais se destroi, mais pistas incontestáveis há de que ali também resistem milagres.
É a Terra que irá recontar sua História. Humanos ocos, são apenas miragens, vertigem. Mas na lágrima de cada rosto, que cai, no reflexo de luz dourada que toca cada folha verde, na luz da lua que inebria todo cenário tenebroso…a Vida impera. Sempre foi assim. Minhas palavras também vão desaparecer, para tocar cada face, cada folha, abençoar cada chão e cada gota vermelha que ali caiu. Tudo se faz seiva. Tudo retorna. Que sufoco. Quanta morte em vão. Quanto chão. Quanto oco. ‘Om’.
19:08h
10-04-26
H.C.🌻
Respostas de 2
Que texto maravilhoso! Obrigado por nos deixar uma reflexão tão profunda; triste, mas com a certeza de que há um mundo melhor a ser construído!
“Aqui neste planeta incrível, eu não aceito o destino imposto a nenhum dos Continentes. Os mistérios estão por toda parte. Quanto mais se destroi, mais pistas incontestáveis há de que ali também resistem milagres.”
Milagres resistem.🌻